Bubalinos mostram ágil recuperação após exposição ao sol

15/07/2014 10:34

O experimento de adaptação fisiológica utilizou 12 bubalinos

A exposição ao sol por uma hora foi capaz de aumentar a frequência respiratória e a temperatura retal de bubalinos. Ao serem transferidos para a sombra, os animais apresentam uma rápida recuperação fisiológica, que resulta em uma importante economia de energia. Esses são alguns dos resultados apresentados na pesquisa Efeito do ambiente térmico na fisiologia adaptativa de bubalinos realizada pela zootecnista Reíssa Alves Vilela e orientada por Evaldo Antonio Lencioni Titto e Alfredo Manuel Franco Pereira, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. O estudo visa um melhor entendimento dos mecanismos que regulam a temperatura corpórea dos bubalinos permitindo assim um melhor bem-estar dos animais, além de propiciar informações aos produtores rurais para a construção de abrigos mais adequados, que respeitem as necessidades biológicas desses animais.

O experimento de adaptação fisiológica dos bubalinos em relação aos diferentes ambientes térmicos utilizou 12 animais. O estudo foi baseado em uma abordagem temporal, do funcionamento dos mecanismos que regulam sua temperatura, em função das variadas formas de armazenamento de calor, que podem vir de diferentes ambientes térmicos dependendo ou não da radiação solar. Visando contemplar o objetivo geral, foram pensados quatro experimentos sendo que cada um deles verificava um aspecto diferente.

Desenvolvimento
O primeiro experimento visou entender as diferenças nas reações fisiológicas dos animais diante de temperaturas elevadas em unidade biometeorológica (ambiente controlado). O segundo buscou avaliar as reações dos bubalinos diante uma exposição direta à radiação solar, sendo que era observada a intensidade do funcionamento das vias de termólise latente (que consiste na sua capacidade de perder calor por evaporação) e as variações do armazenamento de calor em função de diferentes condições térmicas. No terceiro experimento, o objetivo foi avaliar a velocidade de aquisição de calor quando o animal está exposto ao sol, comparando-a com a velocidade de dissipação do calor na sombra. Por fim, o quarto experimento buscou “estudar a dinâmica da utilização das vias de termólise evaporativa ao longo do dia, de forma a compreender as relações sincrônicas entre a temperatura ambiente, os armazenamentos de calor e a intensidade e proporcionalidade das respostas das vias de termólise evaporativa”, explica Reíssa.

Esses experimentos permitiram que a pesquisadora chegasse a algumas conclusões sobre as características adaptativas dos bubalinos. As reações termorreguladoras, que regulam a temperatura do animal, sofreram forte influência ao longo do dia, de acordo com o aumento na temperatura do ar, tanto em ambiente controlado quanto em condições à campo. O aumento na taxa de sudação, que consiste na perda de calor por meio do suor, durante o período de exposição ao estresse térmico demonstrou uma perda de líquidos superior ao indicado, com valores elevados. Apesar de o ambiente térmico influir fortemente nas reações termorreguladoras, o período noturno, com temperaturas mais amenas, reduziu os impactos do estresse térmico, não constando o efeito da radiação solar direta sobre os constituintes sanguíneos.

A exposição ao sol por uma hora aumentou em 1,5% a temperatura retal.

Sobre a velocidade de aquisição de calor, quando expostos ao sol, comparada à velocidade da dissipação do calor, já na sombra, foi comprovado que a exposição ao sol, por uma hora, foi capaz de aumentar em aproximadamente 190% a frequência respiratória e em 1,5% a temperatura retal, após uma hora na sombra, a redução na frequência respiratória foi de 192% e a temperatura retal sofreu redução de 0,57%. Quando avaliados em sua dinâmica da capacidade de perder calor por evaporação, a pesquisadora relata: “à medida que reduz a temperatura radiante média, os animais passam a perder o calor armazenado por radiação, reduzem as perdas por polipneia térmica ao passo que as perdas por sudação permanecem altas”.

Alguns desses resultados consistiram dados inesperados. “Me surpreendi com a rápida recuperação fisiológica dos bubalinos após uma situação de estresse térmico, com maior ênfase à capacidade de perder calor pela via latente e em particular à taxa de sudação. Ao contrário do referido por variada bibliografia, a taxa de sudação assume um papel muito mais relevante no equilíbrio térmico dos bubalinos”, explica Reíssa.

Imagens cedidas pela pesquisadora