Brasil sediará o Fórum Mundial da Água em 2018

13/04/2014 14:03

O Brasil, com 13% da água doce do planeta, foi escolhido como sede do 8º Fórum Mundial da Água, em 2018, durante a reunião do Conselho de Governadores do World Water Council (WWC), ocorrida nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2014, na Coreia do Sul. Hoje, 40% da população global vivem sob estresse hídrico em regiões onde a oferta anual é inferior a 1.700 m³ de água por habitante, limite mínimo considerado seguro pela ONU.

Até 2025, o patamar atual de 3,5 bilhões de habitantes urbanos ultrapassará 5 bilhões, aumentando a pressão sobre a necessidade de infraestrutura para o fornecimento de água e saneamento básico. Reunindo mais de 300 organizações em 50 países, o WWC estimula investimentos, incentiva marcos regulatórios e eventos preparatórios para os fóruns globais. Realizado a cada três anos, o fórum reúne governos, empresas, academia e sociedade civil.

Com apenas 55,1% dos municípios dispondo de saneamento básico (IBGE), o Brasil firmou compromisso na Declaração do Milênio, da ONU, de reduzir pela metade o número de habitantes sem acesso ao saneamento até 2015. Enquanto cerca de 40% da água bombeada para as residências brasileiras é perdida nas redes antes de chegar ao seu destino, no Japão a perda de 5% está sendo reduzida.

Na cidade de São Paulo, que consome 80 bilhões de litros de água por mês e enfrenta estresse hídrico, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) investiu R$ 17,5 bilhões nos últimos sete anos, reduziu as perdas da água distribuída para 25,6%, diminuiu o prejuízo em R$ 275,8 milhões/ano e está oferecendo desconto de 30% na conta de quem reduzir 20% do consumo.

Na Bahia, enquanto a Embasa faz campanha contra o desperdício de água, o município-foz de Lauro de Freitas (tomado como exemplo por ser "foz" de bacia), segundo a prefeitura, tem apenas 7% da população com saneamento básico, funciona como cloaca da bacia do rio Joanes, despejando no oceano Atlântico esgotos dos oito municípios da bacia e mais os dejetos dos rios - esgotos efluentes. Sua praia-foz, chamada de Buraquinho, é um caso interessante a ser mostrado.

A lei 11.445/07, estabelecendo diretrizes para o saneamento básico, preconiza que os municípios precisam elaborar seus planos de saneamento básico e promover a regulação dos serviços de saneamento. O governo federal pretende universalizar o saneamento básico no Brasil em 20 anos (2014 a 2033) e para isso estima a necessidade de R$ 302 bilhões para obras de água e esgoto. "Teríamos de investir em média 15 a 16 bilhões por ano, mas ainda não passamos dos R$ 9 bilhões por ano", adverte o Instituto Trata Brasil.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, as 100 maiores cidades do país geraram mais de 5,1 bilhões de m³ de esgoto por ano. Destes, mais de 3,2 bilhões de m³ não recebem tratamento, ou seja, mais de 100 milhões de brasileiros ainda não têm saneamento básico, o que representa elevados impactos na saúde pública. Entre as doenças transmitidas diretamente através do esgoto, estão a cólera, febre tifoide, desinteria, amebíase e hepatite.

A Organização Mundial da Saúde afirma que, para cada R$ 1 investido em saneamento, há uma economia de R$ 4 na saúde. Observando a declaração da ONU que definiu 22 de março como Dia Mundial da Água, a Associação Comercial da Bahia (ACB), fazendo jus aos 200 anos de serviços prestados à comunidade e interessada na gestão do conhecimento aplicado à sustentabilidade hídrica e ao saneamento básico, convidou o World Water Council e sediará eventos preparatórios em Salvador.

Os novos marcos regulatórios legais elevaram os interesses de investimentos privados, nacionais e internacionais, na gestão e na prestação desses serviços, disse, em São Paulo, Caio Koch-Weser, ex-vice ministro de finanças da Alemanha e vice-presidente do Deutsche Bank. Acostumado a lidar com investimentos globais, afirmou: "Ignorar a sustentabilidade é um erro econômico". Os investimentos realizados até o Fórum Mundial da Água no Brasil, em 2018, confirmarão - ou não - a visão de Koch-Weser.

Portal A Tarde.

Eduardo Athayde | Diretor da Associação Comercial da Bahia e do WWI-Worldwatch Institute no Brasil