Bovinos - principais plantas tóxicas causadoras de mortes no Brasil

01/05/2014 16:46
 

Plantas tóxicas que causam mortes em bovinos

No Brasil, atualmente, são conhecidas mais de 50 plantas de interesse toxicológico para bovinos

Uma das causas mais importantes de perdas de bovinos adultos no Brasil é em decorrência da ingestão de plantas tóxicas. Estas, na maioria dos casos, são de impacto porque quase sempre são responsáveis pela morte de mais de um animal ao mesmo tempo, têm evolução superaguda ou aguda, e afetam geralmente os animais em melhor estado nutricional.

“Planta tóxica, do ponto de vista da pecuária, é toda aquela que, uma vez ingerida pelos animais, sob condições naturais e em doses suficientes, causa danos à saúde deles ou a morte”, afirma a professora Patrícia Tristão Mendonça.

Algumas plantas forrageiras se enquadram nesta definição, uma vez que, em função do seu metabolismo, condições de plantio, características climáticas do ano ou mesmo conservação são capazes de concentrar substâncias tóxicas. 

No Brasil, atualmente, são conhecidas mais de 50 plantas de interesse toxicológico para bovinos, entre elas o sorgo, que dependendo da sua condição vegetativa pode concentrar ácido cianídrico em quantidades tóxicas. Outro exemplo dessas plantas é o capim setária que, até 30 dias de rebrota, contem níveis de oxalato e, em determinadas condições específicas, pode levar a intoxicações.

Sorgo - Capim Setária



Como toda a flora do país, as plantas tóxicas têm distribuição geográfica regionalizada e cada uma possui um nome escrito em latim, tal como um nome de registro civil (nome científico), pelo qual é conhecida em todo o mundo. Os nomes vulgares, que poderiam ser comparados a apelidos, podem variar de uma região para outra.

 

Tabela com as principais plantas tóxicas que causam mortes de bovinos no Brasil

Tabela com as principais plantas tóxicas que causam mortes de bovinos no Brasil

Tabela com as principais plantas tóxicas que causam mortes de bovinos no Brasil

Plantas mais comumente associadas a casos de intoxicação natural
São plantas que atualmente e com relativa frequência têm sido responsabilizadas por quadros de intoxicação natural em bovinos, nas regiões onde elas são encontradas em quantidades consideráveis.

Café do mato ou erva-de-rato ou cafezinho

A erva-de-rato é a planta tóxica mais importante do Brasil, sobretudo na região Amazônica

A erva-de-rato é a planta tóxica mais importante do Brasil, sobretudo na região Amazônica

Arbusto de lugares sombreados (mata, capoeira, pastos recém-formados) em terra firme. Causa de “morte súbitas” em bovinos, especialmente quando os animais são movimentados. É uma planta de boa palatibilidade, de alta toxicidade e efeito acumulativo. É a planta tóxica mais importante do Brasil, sobretudo na Região Amazônica. Os bovinos, quando intoxicados pelo Café do Mato, morrem subitamente. Aparentemente sadios, quando são movimentados, caem subitamente ao chão (de início, em decúbito esternal e, logo em seguida, em decúbito lateral) e morrem em questão de poucos minutos, fazendo movimentos de pedalagem e com respiração ofegante. Antes de caírem, podem apresentar perda de equilíbrio dos membros posteriores, relutância ao andar, tremores musculares, frequentes defecações e micções e pulsação intensa das veias jugulares (“veias do pescoço”). Muitas vezes, os animais podem ser encontrados mortos, sem manifestações anteriores de qualquer alteração. Exercícios podem precipitar ou mesmo provocar os sintomas e a morte. Portanto, não é racional se pensar em tratamento diante da evolução superaguda da intoxicação. Ademais, qualquer movimentação e excitação do animal, como ocorreriam durante o tratamento, poderia precipitar os sintomas e sua morte. Nesse caso, recomenda-se, durante alguns dias, deixar em sossego os lotes de animais que tiverem casos de intoxicação. Experimentalmente, foram verificados alguns casos de recuperação em animais que receberam doses menores da planta. Isto pode indicar que, em condições naturais, bovinos que ingerirem subdoses da planta podem se autodesintoxicar e, assim, reverter espontaneamente o quadro de intoxicação.

 

Samambaia

A samambaia é uma planta tóxica, sendo a brotação a porção mais perigosa ao gado.

A samambaia é uma planta inteiramente tóxica, sendo a brotação a porção mais perigosa ao gado


    Planta invasora, em solos ácidos, de ação radiomimética. Causa diversos quadros patológicos nos animais herbívoros de acordo com a quantidade e o período em que foi ingerida. A samambaia é uma planta inteiramente tóxica, sendo a brotação a porção mais perigosa ao gado. A planta, quando dessecada, também conserva a toxidez. De acordo com as quantidades ingeridas e o período durante o qual se dá a ingestão da planta, ocorrem diferentes manifestações clínicas de intoxicação.

Tabela com as principais plantas tóxicas que causam mortes de bovinos no Brasil


Cipó preto

É uma planta arbustiva conhecida como trepadeira ou cipós e pertence à família Malpighiaceae. Ocorre somente na região Sudeste, tendo como nome popular “cipó-ruão”, “cipó-preto”, “cipó-vermelho”, ou ainda “cipó-ferro”. São consideradas plantas importantes como causa de mortes em rebanhos bovinos em regiões como o vale do Paraíba, em São Paulo; ou a região de Governador Valadares, em Minas Gerais. Também nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo são relatadas intoxicações. Na verdade, estas plantas foram estudas inicialmente devido ao seu efeito sobre o sistema circulatório, mais especificamente no coração, onde pode causar fibrose cardíaca grave, acompanhada de um quadro de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Devido às perdas econômicas geradas a partir da morte dos animais acometidos, chegando a inviabilizar a atividade pecuária em algumas propriedades, vários estudos foram realizados, identificando, então, como a causa destes problemas as espécies de Tetrapterys spp. Porém, um fato constante nos relatos dos criadores são os abortos atribuídos à ingestão da planta. A intoxicação acontece principalmente na época da seca, quando há falta de pasto (fome) e a planta está em fase de brotação, portanto mais palatável. O principal sintoma seria o aborto precedido ou concomitante com a manifestação clínica dos sinais de Insuficiência Cardíaca Congestiva. Os sinais circulatórios mais evidentes são edema de barbela e da região esternal, veia jugular ingurgitada e arritmia cardíaca. Também observam-se fraqueza, letargia, anorexia e dispneia. O índice de mortalidade é elevado.

Algaroba

plantas tóxicas

Não há tratamento para a intoxicação por meio da Algaroba

Também é conhecida por algarobeira ou algaroba. É uma xerófila de crescimento rápido, com altura que varia de 8-12 m. Produz frutos a partir do segundo ou terceiro ano, provocando a enfermidade denominada de cara-torta. Esta planta foi introduzida no Nordeste brasileiro, na década de 40. Os frutos são utilizados como forragem, e podem ser consumidos no campo ou coletados para produzir rações para bovinos, ovinos, caprinos, suínos, aves e coelhos. Têm sido utilizados, também, para o consumo humano. A intoxicação pelos frutos da algaroba tem sido descrita em bovinos nos Estados Unidos, Peru e Brasil, e em caprinos no Peru. A intoxicação foi descrita na Paraíba em 1981 e no Rio Grande do Norte em 1986. Depois de 1992 o número de surtos aumentou e a morbidade chegou até 50% em alguns rebanhos. Os sinais clínicos são mais evidentes durante a ruminação ou na mastigação e são característicos de uma insuficiência dos nervos cranianos. Em bovinos, observa-se relaxamento da mandíbula, torção da cabeça durante a mastigação e ruminação, movimentos involuntários da língua ou sua protrusão, salivação profusa, bocejos, dificuldades para deglutir e atrofia dos masseteres. Mastigação continuada, nervosismo, disfagia, atonia ruminal, anemia, edema submandibular e emagrecimento progressivo são também observados. Não há tratamento. Após o aparecimento dos sinais clínicos deve, imediatamente, ser suspensa a administração das favas ou do farelo de algaroba. Aconselha-se administrar até 30% de vagens na dieta de bovinos por um período de 6 meses.

Por Silvana Teixeira