Suplementação de bovinos nas águas reduz tempo de recria ou engorda

08/03/2014 13:43

Na pecuária intensiva, além do capim, pecuaristas usam alimentação no cocho; estratégia garante desenvolvimento equilibrado dos animais

Sebastião Garcia

Foto: Sebastião Garcia / Canal Rural
Cuidado faz com que os animais ganhem, em peso, cerca de 830 gramas por dia

A comida ideal para o gado brasileiro é o capim, mas isso não significa que o pecuarista não possa contar com uma forcinha do alimento no cocho, mesmo no período de oferta de pastagem. Na pecuária intensiva, a suplementação nas águas é uma estratégia para garantir o desenvolvimento equilibrado por parte dos animais e também reduzir o tempo de recria ou engorda. 

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A fazenda Mirante, em Nerópolis, município vizinho à capital de Goiás, conta com 500 vacas e 314 bezerros em 50 hectares. Os animais ficam em uma área por 180 dias, entre os meses de dezembro a maio, com a meta de produção de 60 arrobas por hectare nesse período. Com essa taxa de lotação e produção por área tão alta, o sistema tem que estar sob controle o tempo todo.

O capim mombaça recebe, por ano, mil quilos de adubo e manejo rigoroso para ter folhagem na quantidade e qualidade ideal para alimentar o gado. São dois dias de pastejo em cada um dos 10 piquetes, com 18 dias de descanso. Tanta intensificação chamou a atenção de um dos maiores pecuaristas do Estado de Mato Grosso, Romão Ribeiro Flor. Ele quer aprender a produzir mais em menos espaço.
 
Mas mesmo com o capim tão bem manejado, o zootecnista Gustavo Reis e o pecuarista Sérgio de Paiva, responsáveis pelo sistema, usam também alimentação no cocho. A suplementação nas águas entra como estratégia de ajuste para manter o desenvolvimento dos animais e não comprometer a engorda total prevista para os 180 dias.
 
A formulação da ração varia de acordo com a categoria. Em média, cada animal recebe 1,8 quilo de suplemento por dia.

A quantidade de suplemento utilizado no cocho depende da oferta de matéria seca da pastagem. E essa informação sai do pasto. Um dia antes do gado entrar no piquete são colhidas amostras do capim para medir quanto tem de folhas em toda a área. São pequenos detalhes que fazem uma pecuária de precisão.
 
É uma simulação do que o animal vai comer. De cada piquete são colhidas amostras em três pontos diferentes, somando 3 metros quadrados em toda a área. Na sede da fazenda, o capim é pesado e depois fica cerca de duas horas em um aparelho para perder a umidade. Por esse processo a matéria seca da forragem é apurada.
 
Todo esse cuidado faz com que a suplementação nas águas sirva de ajuste para que os animais ganhem, em peso, cerca de 830 gramas por dia. E para que não haja desperdício.


 

CANAL RURAL

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