Em maio, a Organizações das Nações Unidas (ONU) sugeriu o consumo de insetos no combate à fome. A prática pode ser alternativa para melhorar o estado nutricional de populações carentes de proteína. Por razões culturais, esse é um mercado pouco difundido no Ocidente - ao menos nos moldes sugeridos pela ONU.

Como agronegócio, no entanto, os produtores brasileiros enxergam, nos insetos, um mercado atraente. Embora os utilizem, em sua maioria, para controle biológico, desenvolvimento da seda e no setor apícola, muitos já apostam com relativo sucesso no seu fornecimento como alimentação animal.

No País, a Nutrinsecta possui registro de Fabricante de Ingredientes para Alimentação Animal no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Dessa forma, com o Selo de Inspeção Federal (SIF), a empresa pode comercializar o produto em todo o território nacional. Os formato variam: insetos comestíveis são comercializados vivos ou desidratados, segundo Gilberto Schickler, zootecnista e consultor da companhia. 

O rendimento é de 100% como matéria-prima para produção de ração. Quando vivos, os insetos seguem em recipientes ventilados, em quantidades que se situam entre 100 gramas e 1kg. Já os desidratados podem ser fornecidos inteiros, fragmentados, moídos ou reidratados. Os insetos inteiros são incluídos em mistura de sementes e frutas secas. Quando moídos, são adicionados em farinhadas ou em misturas para peletização e extrusão. “Recomenda-se, de forma geral, a inclusão entre 5% a 10% da dieta”, diz. 

Proteínas

Schickler explica que os insetos são classificados como Concentrado Proteico de Origem Animal e, assim, podem substituir satisfatoriamente alimentos como a farinha de carne e ossos, de vísceras de frango, de peixe, de sangue e de penas. Pesquisas no exterior testam a farinha de insetos como substituta de concentrados proteicos de origem vegetal, como a farinha de soja e de algodão.

Os insetos são ricas fontes de proteínas, gorduras e minerais de alta digestibilidade. Há também alta percentagem de aminoácidos essenciais - não produzidos pelo organismo. Além de qualidade proteica, há quantidade: em média, as espécies comestíveis apresentam 50% de proteína bruta no material desidratado. O recorde é da barata cinérea (Nauphoeta cinerea), com 60%, informa Schickler.

Mercado brasileiro

No País, o líder é o besouro tenebrio comum (Tenebrio molitor). A estimativa é de que 600.000 pessoas, apenas entre os criadores de pássaros canoros nativos, tenham colônias da espécie. Na relação, também se destacam o tenebrio gigante (Zophobas morio), o grilo preto (Gryllus assimilis), a mosca doméstica (Musca domestica) e a barata cinérea.

Schickler afirma que os insetos integram os hábitos alimentares de espécies onívoras, insetívoras, frugívoras, granívoras e herbívoras. Atualmente, há esforços concentrados em atender o mercado pet, por ser aquele que permite a inclusão de um ingrediente ainda com alto valor. 

Além disso, o zootecnista cita a existência de estudos mostrando que se trata de um excelente alimento também para animais de produção, como peixes, aves e suínos. “Resta reduzir os custos de produção, de modo a viabilizar esse mercado”, conclui.

GHX ComunicaçãoGHX Comunicação