A evolução dos aditivos anti-micotoxinas na suinocultura brasileira

29/03/2014 14:35
A evolução dos aditivos anti-micotoxinas na suinocultura brasileira

As últimas quatro décadas foram marcadas por muitas pesquisas visando compreender e minimizar os efeitos negativos causado pelas micotoxinas e seus metabólitos na produção de suínos. As primeiras tecnologias disponíveis para redução dos impactos causados pelo uso de alimentos contaminados foram os diversos tipos de adsorventes, como os silicatos, carvão ativado e carboidratos complexo

A evolução dos aditivos anti-micotoxinas na suinocultura brasileira

É reconhecida na comunidade científica e na indústria a eficiência desses adsorventes para o controle de toxinas polares e hidrossolúveis (Ex. Aflatoxinas). Porém, ainda é questionável a ação em toxinas apolares e/ou lipossolúveis (Ex. Tricotecenos, Fumonisinas e Zearalenona). Produtos denominados organoaluminosilicatos são silicatos combinados com uma fração orgânica, tecnologia esta que demonstrou melhoria na ação em algumas toxinas, ampliando o espectro de ação dos silicatos. Tratando-se de adsorventes, o que mais se discute na atualidade é a capacidade dos silicatos em alterar a farmacocinética dos medicamentos. Muitas publicações científicas demonstram que os adsorventes podem interferir na biodisponibilidade de antimicrobianos e outros aditivos medicamentosos. Isto gera um aumento nos riscos do uso deliberado de adsorventes, já que faz-se uso de medicamentos ou aditivos na maior parte das fases de criação de suínos.


Sabe-se que ruminantes naturalmente não são susceptíveis a diversas micotoxinas. Pesquisas em busca das causas desta resistência levaram à descoberta de enzimas produzidas por microrganismos ruminais capazes de inativar com especificidade determinadas micotoxinas. Partindo desses descobrimentos surgiram produtos visando resolver a deficiência no controle de toxinas apolares e lipossolúveis: a inativação através de enzimas específicas para toxinas ou grupos de toxinas da mesma classe. A partir de então, toxinas como a fumonisina, zearalenona e tricotecenos passaram a contar com enzimas que as biotransformam em metabólitos atóxicos.  Porém, como naturalmente o pH do líquido ruminal de bovinos é próximo a neutralidade, aquelas enzimas isoladas apresentavam pico de eficiência em pH neutro. Pesquisadores Húngaros da Universidade de Budapeste, convencidos de que o conceito de inativação através de enzimas poderia ser aperfeiçoado e aplicado em suinocultura, continuaram com a busca por microrganismos capazes de produzir enzimas eficientes em ambiente ácido. Essa nova geração de enzimas inativadoras possui ação importante já no estômago do suíno, evitando que as micotoxinas cheguem ao intestino delgado sem haver sido inativadas anteriormente.
A inativação de micotoxinas é um processo eficiente, específico e seguro para o controle de micotoxinas que dificilmente sāo controladas através dos produtos ou métodos tradicionais.
Os inativadores de micotoxinas baseados em complexos enzimáticos já estão disponíveis no mercado suinícola, servindo como uma ferramenta de melhoria de resultados produtivos e sanitários para os produtores e agroindústrias brasileiros.

Foto 1: Leitoas recém nascidas com edema de vulva, intoxicação pela toxina estrogênica Zearalenona (Fonte: Felipe Koller).

Autores: Felipe Tomazella e Felipe Leonardo Koller, Vetanco do Brasil [Suínos]
Referências:
• Decontamination of Mycotoxin-Containing Food and Feed by Biodegradation, Halász, A. et all, Food Reviews International, 25:284–298, 2009.
• Evaluation of Mycotoxin Binders, Lon W.Whitlow, Proceedings of the 4th Mid-Atlantic Nutrition Conference. 2006.
• Influence of Mycotoxins and a Mycotoxin Adsorbing Agent on the Oral Bioavailability of Commonly Used Antibiotics in Pigs. Goossens, J. et all. Toxins, 2012.
• Interaction between tylosin and bentonite clay from a pharmacokinetic perspective. Devreese, M. The Veterinary Journal. 2012.