A proteína que pode cortar DNA e revolucionar a genética

09/04/2013 20:16

 

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Quando os cientistas Phillipe Horvath e Rodolphe Barrangou decidiram encontrar a melhor maneira de fazer iogurte, eles não esperavam tropeçar em uma das descobertas mais promissoras da área biológica: uma superproteína que pode literalmente cortar DNA, e tem o potencial de revolucionar a engenharia genética.

“Isso pode acelerar significativamente a taxa de descoberta em todas as áreas da biologia, incluindo a terapia genética na medicina, a geração de melhores produtos agrícolas, e a engenharia de micróbios produtores de energia”, explica Luciano Marraffini, da Universidade Rockefeller (EUA).

A proteína, chamada Cas9, pode ser explorada para cortar fitas de DNA exatamente no lugar onde os pesquisadores querem. Não torna a engenharia genética fácil, mas torna-a muito, muito mais fácil do que é atualmente, pois permite que os cientistas emendem sequências de DNA com uma precisão sem precedentes.

 

A descoberta

Cas9 foi encontrada no ano passado. Os cientistas descobriram que, quando combinada com certas bactérias, a proteína invade e mata vírus cortando seu DNA em pontos-alvo específicos.

Isso faz da proteína uma excelente candidata para tornar a produção de iogurte mais eficiente. Mas o que é mais interessante ainda é que Cas9 pode ser emparelhada com qualquer sequência de RNA (cordas de moléculas que codificam e regulam a expressão de genes) para alvejar um pedaço determinado do DNA e cortá-lo com precisão incrível, como uma espécie de tesoura minúscula feita sob encomenda.

O mundo da biologia imediatamente fervilhou com as possibilidades que a proteína oferece.

“Ela está se espalhando como fogo desde que aprendemos sobre ela, e certamente é muito tentadora. É fácil usá-la para fazer muitas experiências”, disse o geneticista George Church, da Universidade Harvard (EUA).

No futuro

Cas9 poderia trazer consigo avanços enormes, pelo menos na nossa capacidade de estudar a genética.

Digamos que há três mudanças no DNA ou em torno de um gene que podem causar uma doença. Hoje, é difícil estudá-las diretamente. Mas com a nova proteína, podemos pegar uma célula de uma pessoa que já teve seu DNA sequenciado e criar o que é conhecido como uma célula-tronco pluripotente induzida, uma célula que se comporta como um embrião. Depois disso, podemos usar a Cas9 para manipular cada uma dessas mudanças no DNA.

Claro, ainda há um longo caminho a percorrer antes de simplesmente “cortarmos” defeitos do nosso DNA.

A pesquisa está atualmente sendo realizada em placas de Petri, não criaturas vivas, mas é promissora. Segundo os especialistas, é só uma questão de tempo até que algo importante venha dela.

Saiba mais sobre a Cas9 no artigo publicado (em inglês) na revista Science.

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